
Sinopse
Viver à sombra da irmã mais velha e bem-sucedida nunca foi fácil para a aspirante a cineasta Hyoyeong. Hyomin sempre foi considerada a aluna exemplar, a filha perfeita, o orgulho de todos. Por isso, Hyoyeong não esperava que a irmã fosse cair em um golpe e perder todas as economias da família. O baque financeiro é tão grande que Hyoyeong se vê obrigada a abandonar seu sonho profissional para ajudar a família e cuidar da mãe, que acaba de sofrer um acidente.
Sentindo que decepcionou a todos, Hyomin decide largar tudo e fugir. No entanto, ela não desiste de ter o perdão da irmã e passa a lhe escrever cartas. Sem conseguir perdoá-la, Hyoyeong se muda para Seul, na esperança de nunca mais ser procurada por Hyomin.
Quando ela chega à cidade, um amigo lhe oferece um emprego na Geulwoll, sua loja de cartas, um lugar famoso pelo serviço de penpal, em que os clientes podem trocar cartas anônimas com outras pessoas. A ideia é bem simples: para receber uma carta escrita por um desconhecido, basta lhe escrever uma carta.
Conforme os dias vão passando, Hyoyeong começa a observar as pessoas que vão até lá para colocar no papel seus medos e desejos mais profundos, se conectando com eles e suas histórias. Tudo o que ela queria era ficar longe de cartas, mas a atmosfera reconfortante do local e seus simpáticos clientes aos poucos ganham o coração de Hyoyeong e a ajudam a repensar a própria vida e o relacionamento com a irmã.
Aviso: minhas resenhas são bem detalhadas. Nada do que escrevi tem spoilers, mas, se você não gosta de saber muito sobre o livro antes de ler, recomendo ir direto para a seção “parecer final”, que tem um resumo dos principais elementos e da “vibe” geral da leitura.
Motivação da leitura
A loja de cartas de Seul é um livro que se enquadra no novo gênero ficção de cura. Assim que o livro foi lançado, fiquei encantada com a capa e com a premissa de uma loja de cartas, mas o que me levou à leitura mesmo foi o Clube de Literatura Coreana, que escolheu o livro para a reunião on-line de outubro!
Ritmo, ambientação e atmosfera
Aqui eu acho que o livro se destaca! O ritmo da narrativa é lento e constante, sem muitas variações. Não é um livro de grandes emoções, apesar de tratar de temas que podem, sim, despertar sentimentos no leitor. É o tipo de leitura aconchegante que lentamente te envolve na atmosfera criada.
A história se passa principalmente na loja de cartas, que é descrita em detalhes: o modo como a luz atinge a janela, a vista que se modifica com o passar das estações, o cheiro da loja. E há múltiplas formas narrativas, temos a história principal de Hyoyeong, as histórias dos clientes da loja que são escritas nas cartas, a troca de recados entre Hyoyeong e seu amigo e dono da loja, Seonho, pelo livro de registros e as postagens que Hyoyeong faz no Instagram da loja. Eu amei como esses diferentes formatos são usados, dando dinamicidade à narrativa, e se entrelaçando, como diversos pontos de vista de um mesmo
Personagens
Outro destaque (ok, acho que estou destacando o livro inteiro, deu para perceber que amei o livro, né?!) vai para a construção e o desenvolvimento dos personagens.
Agora, escrevendo a resenha, percebi que temos muitos personagens, pois temos o núcleo da Hyoyeong e do Seonho e seus respectivos amigos e familiares, mas também o núcleo dos clientes da loja, que vamos conhecendo pouco a pouco a partir das interações cotidianas e do conteúdo das cartas. O que é mais surpreendente é que, apesar de tantos personagens, eu não senti em nenhum momento um “excesso de informações”, pois tudo se desdobra lentamente.
Pouco a pouco vamos conhecendo cada um, suas alegrias, tristezas, dificuldades, e vendo que são “gente como a gente”. Todos os personagens são muito reais, com personalidades diferentes entre si, e, no final, acho que terminamos a leitura sentindo que os conhecemos. Penso que esse é o poder das cartas.
Um ponto que pode ser negativo, mas é inevitável
Durante o meu contato inicial com a cultura sul-coreana, tive muita dificuldade em acompanhar os nomes dos personagens, pelo idioma ser muito diferente do português ou do inglês, com os quais estou habituada.
Penso que esse pode ser um ponto negativo no livro, para aqueles que estão ainda em seus primeiros passos no universo sul-coreano. São muitos personagens e muitos nomes e pode ser difícil se situar. Há também algumas palavras e situações que podem parecer estranhas ao leitor não familiarizado com a cultura, pois foram mantidos fielmente na tradução e revisão.
Particularmente, eu não acho que isso seja algo ruim. A tradução inclusive está excepcional, pois a leitura flui muito bem. Para aqueles que têm dificuldade, o início do livro conta com uma lista dos personagens, o que achei incrível! Claro, mesmo assim a leitura pode causar um estranhamento, mas a equipe envolvida no trabalho com o livro fez o máximo para respeitar o original e incluir os novos leitores. Por isso gostaria de destacar o trabalho deles e apontar que é assim, gente. Não se deixe abater caso sinta um estranhamento inicial, pois é um novo universo que se abre ao conhecermos outra cultura.
Parecer final
A loja de cartas de Seul é um livro de ficção de cura para desacelerar, refletir e aquecer o coração. O que mais me encantou foi a construção do cenário da loja de cartas e da atmosfera aconchegante e reconfortante. Dá vontade de morar dentro do livro! Todos os pequenos detalhes da narrativa mostram uma outra forma de olhar o ambiente e as pessoas, um olhar lento e cuidadoso, atento às pequenas mudanças do dia a dia. Me lembrou muito o filme Perfect days. Se você assistiu e gostou do filme, este livro é a leitura certa para você!
Ficha técnica do livro

Título: A loja de cartas de Seul
Autora: Baek Seung-yeon
Tradutora: Núbia Tropéia
Editora: Intrínseca
Ano: 2025
N.º de páginas: 256
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