
Sinopse
Uma história de amor atemporal se desdobra em um mundo secreto debaixo da terra – um lugar de piratas, pintores e navios que navegam sobre um Mar Sem Estrelas Quando Zachary Ezra Rawlins descobre um misterioso livro escondido na biblioteca de sua universidade, isso o leva a uma busca como nenhuma outra. Em meio a suas inebriantes narrativas sobre prisioneiros apaixonados e cidades perdidas, ele se depara com algo impossível: uma história de sua própria infância. Determinado a obter respostas que este livro sem título ou autor se recusa a prover, Zachary deve seguir as únicas pistas que encontra na capa – uma abelha, uma chave e uma espada. Em seu caminho, surgem duas pessoas que mudarão o curso de sua vida: Mirabel, uma impetuosa pintora de cabelos cor-de-rosa, e Dorian, um belo e enigmático homem descalço. Navegando por bailes de máscaras e sociedades secretas, este é só o início de uma missão que o levará a um estranho labirinto subterrâneo, às margens do Mar Sem Estrelas. Um mundo maravilhoso de túneis sinuosos, cidades perdidas, amantes eternos e histórias a serem preservadas, custe o que custar…
Aviso: minhas resenhas são bem detalhadas. Nada do que escrevi tem spoilers, mas, se você não gosta de saber muito sobre o livro antes de ler, recomendo ir direto para a seção “parecer final”, que tem um resumo dos principais elementos e da “vibe” geral da leitura.
Motivação da leitura
Adoro acompanhar os vlogs da cups and thoughts no YouTube e já a havia visto falar sobre esse livro, que adorou. Então dei a sorte de ele entrar em promoção na livraria da minha cidade por um preço que nem a Amazon batia e não pude perder a oportunidade.
Assim, foi uma leitura inicial meio “às cegas”. Não sabia bem o que esperar, e o livro acabou me surpreendendo.
Onde o livro brilha: o universo fantástico criado pela autora e o estilo narrativo
Para mim, este é um livro para ser mais experienciado do que entendido em seus pormenores.
Para começar, a estrutura do livro é superinteressante. É verdade que ela pode ser incômoda no início, porque há uma alternância entre histórias que vão formando a mitologia do universo criado e a narrativa principal que está acontecendo, digamos, no momento da leitura.
Essas histórias que aparecem não necessariamente têm um fim e às vezes nos deixam com um gostinho de “quero mais”, que pode ser um pouco frustrante. Porém, com o avançar da leitura, vamos entendendo um pouco mais sobre o lugar dessas narrativas no livro e tem um elemento metalinguístico muito potente.
Acho que tudo contribui para produzir um determinado efeito que é sentido tanto pelos personagens que vão para o mar sem estrelas quanto por nós, leitores, graças ao modo como a história é composta mesmo.
Fora isso, todo o mundo criado pela autora, desde as histórias até o Mar Sem Estrelas, é absolutamente incrível e maravilhoso, sobretudo para quem ama livros. Fiquei encantada e ao mesmo tempo triste, pois é um lugar que, apesar de glorioso no passado, estava passando por um momento de decadência.
E isso, para mim, foi o mais bacana, sentir aquilo que eu sabia que os próprios personagens estavam sentindo. Foi uma experiência que ajudou a criar empatia e a entender as ações dos personagens, mesmo quando elas não eram as melhores para a situação da história.
Pontos não tão positivos: início, personagens e diálogos
Como a estrutura do livro envolve intercalação de histórias, o início pode soar confuso e, sinceramente, eu achei meio desinteressante, o que tem muito a ver com os diálogos e com a construção dos personagens.
No geral, me senti neutra em relação aos personagens, apesar de torcer por eles. Todos eram meio parecidos e não tivemos oportunidades de conhecê-los a fundo, acho que pelo foco recair no mundo criado. Também achei os diálogos rasos e pedantes no início. Para mim, o livro só começou a ficar interessante mesmo quando nos é apresentada a biblioteca subterrânea e o Mar Sem Estrelas.
Então, se você sentir dificuldade no início da leitura ou achar o livro chato, insista um pouco porque fica melhor e vale a pena!
O que achei do desfecho (sem spoilers)
Enquanto o início é lento, com alguns detalhes e situações pouco relevantes para a narrativa em si, achei o fim muito apressado e com diversas pontas soltas. Tudo aconteceu rápido demais, sendo que diversas situações fundamentais para a história se passaram na última parte do livro.
Isso me desagradou. Enquanto as histórias individuais eram contadas e deixavam um gostinho bom de “quero mais”, o modo como o desfecho foi construído deixou um gostinho de “esperava mais”.
A mensagem final é bem interessante e congruente com a narrativa, mas o modo como isso foi feito no livro não foi tão bom.
Parecer final
O Mar Sem Estrelas é um livro criativo, com um universo encantador e por vezes surpreendente, mas com altos e baixos. Indico para quem quer fugir do óbvio e do lugar-comum das fantasias, mas não espere muita lógica. É um livro mais para ser experienciado do que entendido nos mínimos detalhes.
Ficha técnica do livro
Título: O Mar Sem Estrelas
Autora: Erin Morgenstern
Tradutora: Isadora Prospero
Editora: Morro Branco
Ano: 2021
N.º de páginas: 544
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