
Desta vez um post bastante atrasado compartilhando um pouco mais da minha experiência cursando o bacharelado em Letras na Uninter. Este é o quarto post da saga e, para quem quiser acompanhá-la desde o início, seguem os links para os relatos do primeiro, segundo e terceiro semestres.
Em minha defesa, tivemos mais uma série de mudanças, conclusão do estágio e um novo emprego CLT, então demorei até me adaptar à nova rotina, sobretudo à carga de 8 horas e 48 minutos diários de trabalho. Mas isso é papo para o post do próximo semestre! Aqui vou contar tudo o que aconteceu entre julho de 2025 e fevereiro de 2026.
Rotina
Como é de praxe, gosto sempre de começar falando sobre a minha rotina. Faço isso porque a rotina impacta muito a nossa capacidade de estudo e o tempo que temos para dar conta de todas as obrigações do curso.
Mas, basicamente, nada mudou muito desde o post passado. Segui no meu estágio presencial de 30h semanais e na monitoria, que demandou muito do meu tempo até o fim do ano. Vou falar mais sobre isso na seção dedicada à monitoria!
Dispensa de um dos estágios obrigatórios
Neste semestre também aproveitei para solicitar a dispensa de um dos estágios obrigatórios com base na minha experiência profissional como revisora.
Foi um processo muito simples! Tudo o que eu precisei foi pedir à direção da instituição na qual trabalhei como revisora que assinasse o modelo de declaração da Uninter para a solicitação da dispensa.
Os requisitos eram ter trabalhado pelo menos seis meses no cargo, e a declaração funcionava como a comprovação.
Então eu submeti o documento assinado na plataforma e ele foi aprovado! Com isso consegui a dispensa do estágio profissional, mas ainda há outro estágio, que envolve a atuação em diferentes contextos. Também tenho planos de solicitar a dispensa desse, mas volto aqui no próximo semestre para contar como foi.
Se você também está pensando em tentar a dispensa do estágio, o mais importante é ter em mente que é preciso submeter a declaração. Ou seja, se você tem experiência trabalhando como freelancer na revisão de trabalhos acadêmicos ou esporadicamente para um ou outro lugar, isso provavelmente não vai contar para solicitar a dispensa, o que, na minha opinião, é um problema.
Mas saber disso pode te ajudar a se planejar para buscar um trabalho mais longíquo em uma instituição, ou tentar permanecer fazendo freelas para uma mesma editora por seis meses seguidos, o que já te permite usar a declaração.
Obrigações do estágio não obrigatório/remunerado
Além do processo inicial de assinatura do termo de compromisso, descobri que precisamos entregar um relatório de acompanhamento de estágio a cada seis meses.
Esse relatório visa possibilitar que a Uninter avalie se estamos realizando as atividades previstas no termo de compromisso ou se está havendo desvio de função e como está sendo nosso desempenho.
No modelo de relatório da Uninter, há uma parte para preenchermos, outra para nosso supervisor do local de estágio e uma terceira que fica a cargo da instituição de ensino. Mas, se nosso campo de estágio também tiver um relatório, nós podemos enviá-lo para a Uninter no lugar do modelo deles.
É um processo bem tranquilo. Eu acabei esquecendo dessa obrigação ao longo do estágio e pude entregar com alguns meses de atraso, sem problemas! E a demora não prejudicou em nada o andamento do estágio.
Além disso, após o fim do estágio, há um termo de rescisão que devemos assinar e enviar na plataforma da Uninter. No meu caso, meu campo de estágio que me entregou a rescisão, então vou enviar o modelo deles e volto para contar se funcionou!
A única coisa que você deve prestar atenção é: caso queira iniciar um novo estágio, o sistema não irá liberar o novo termo de compromisso até você ter cumprido com as obrigações documentais do estágio anterior. Nesse caso, o atraso no envio dos documentos pode ser prejudicial.
Monitoria
A monitoria foi um divisor de águas na minha vida e, principalmente, na minha opção por seguir ou não carreira acadêmica.
No post passado, sobre o terceiro semestre na Uninter, já falei bastante sobre a experiência, então não pretendo me alongar tanto. Aqui, vou cobrir mais detalhes sobre a escrita e a apresentação do trabalho, a obtenção do certificado de monitora e as mudanças que vão ocorrer nas próximas turmas da atividade.
Escrita do trabalho e da apresentação
Como disse anteriormente, a apresentação de um trabalho no evento da Uninter, ENFOC (Encontro de Iniciação Científica e Fórum Científico), foi o principal requisito para a obtenção do certificado de monitoria. Por isso, a maior parte das reuniões que tivemos ao longo do ano foi destinada à discussão e a elaboração do trabalho e sua apresentação, que ocorreu em agosto de 2025.
Para o evento, foi necessário escrever um artigo de mais ou menos quatro páginas, a ser submetido para avaliação e aprovação. Nós tivemos até meados de julho para enviar o artigo, e o evento ocorreu no final de agosto. Foram mais ou menos quatro meses para escrever o trabalho e um mês para planejar a apresentação.
Foi pouco tempo? Na minha opinião, sim. Primeiro porque não tivemos nem a oportunidade de entender como funciona a monitoria antes de iniciar o processo de escrita. Isso dificultou muito escolher um tema que tivesse relação direta com a experiência na atividade.
Claro que não impossibilitou, tanto é que alguns colegas se reuniram em um grupo para escrever sobre a monitoria, e o trabalho deles ficou bem bacana! Foi um tema mais propositivo, isto é, do que eles esperavam encontrar com as atividades a serem desenvolvidas, do que colhendo os resultados do processo, que ficou para uma expansão futura em formato de artigo científico.
No meu caso, a solução que encontrei foi abordar um livro que estava lendo no momento. Decidi falar sobre um elemento específico do livro A mulher de trinta anos, do autor francês Honoré de Balzac. Por mais que isso tenha facilitado a minha vida e eu tenha amado escrever sobre o tema, não deixei de sentir um estranhamento por estar fazendo um trabalho mais próximo do que seria uma Iniciação Científica do que uma Monitoria.
Para a escrita, a professora orientadora indicou alguns textos e encontrei outros, de modo que rapidamente consegui formar a base bibliográfica do trabalho. As indicações da professora foram excelentes e ajudaram demais. Para vocês terem uma ideia, o artigo submetido teve apenas cinco referências listadas. Ou seja, foi uma carga de leitura possível no período disponível para a elaboração do texto.
Como dinâmica, primeiro todos os grupos ou monitores escreveram um resumo do que pretendiam tratar. Nós apresentamos e discutimos os resumos durante as reuniões e partimos para a escrita de um texto maior, já no formato de artigo, com o desenvolvimento completo do trabalho. Esse texto foi enviado para a professora e devolvido comentado algumas vezes, além de termos reuniões de orientação para debater o desenvolvimento do trabalho.
Por fim, a parte mais sofrida foi reduzir as onze páginas escritas para as quatro exigidas pelas normas do evento.
Após a submissão, começamos a trabalhar nas apresentações para o evento. O próprio ENFOC forneceu o modelo de slide e tivemos apenas que incluir as informações mais pertinentes, então foi bem tranquilo. O evento em si presta bastante suporte, fornecendo os modelos para preenchermos, tanto do artigo quanto do slide, além de contarmos sempre com a orientação do professor responsável pela monitoria.
A dinâmica de preparo para a apresentação foi similar à de escrita do texto. Nós trabalhamos nos slides e tivemos um momento de apresentação do nosso trabalho, simulando o dia do evento. Tivemos que cronometrar a duração da nossa fala (o limite era de dez minutos, bem curtinho) e, no fim, recebemos feedback da professora e dos colegas. Foi um momento muito bacana, no qual pudemos ver o produto da pesquisa de cada um e trocar e contribuir.
Apresentação no ENFOC
Após a submissão e o aceite, a equipe do evento organizou o ensalamento e os horários de cada apresentação.
Eu, que já sabia que ficaria nervosa, preparei uma “colinha” na apresentação de slides e basicamente escrevi o que eu gostaria de falar, de forma bem coloquial, para ler em caso de nervosismo grave.
E o que eu fiz? Claro que li o texto! hahaha mas foi ótimo e deu tudo certo. Dez minutos é pouco tempo para improvisos e divagações (o que tendo a fazer bastante no discurso oral), então foi uma decisão acertada e deixo a dica para quem se identificou comigo!
No mais, foi incrível poder acompanhar todas as apresentações e conhecer projetos e trabalhos que eu nem imaginava que existiam na Uninter. Foi o tipo de experiência que me fez sentir mais integrada na universidade e expandiu a minha visão sobre a Uninter, o curso de Letras e também outros cursos.
Segunda atividade de extensão do curso – Projeto Rios de Histórias
A segunda atividade de extensão do curso ficou disponível para mim na segunda metade de 2025, com prazo de entrega até o final do curso.
Esse projeto é bem mais elaborado e trabalhoso do que o primeiro, que consistia em assistir a diversas aulas e fazer avaliações. Por isso, ainda não me aprofundei nos pormenores das obrigações, muito menos comecei a realizá-lo. A disciplina de TCC também ficou disponível para mim, mas no início de 2026 e com prazo mais curto que o projeto de extensão, então pretendo fazer o TCC antes do projeto.
De forma geral, este projeto pede que a gente pesquise locais de promoção de leituras, centros culturais, escolas, ONGs, academias de letras, jornais locais e entrevistas com agentes culturais locais e crie um guia que deverá ser apresentado em um local público e cuja apresentação deverá ser comprovada por meio de um relatório com fotos e lista de presença.
Sinceramente? Eu achei um projeto bem complexo para realizarmos em um curso EAD. Principalmente porque, no EAD, acabamos tendo menos vínculo com a instituição de ensino. Eu não tive contato com nenhum professor da minha cidade e só vou ao polo às vezes fazer algumas provas presenciais. Agora pedem que eu realize uma atividade presencial na minha cidade e fico me perguntando: qual suporte a instituição está me dando?
Lembro que, quando cursei Psicologia na UERJ, os professores tinham os seus próprios projetos de extensão e bastava a gente se inserir neles. Já havia campo e uma atividade sendo desenvolvida. Agora, sinto que eu tenho que fazer tudo do zero. Considerando que o EAD é uma modalidade voltada para pessoas que trabalham e estudam, não posso deixar de sentir que essa atividade não foi pensada para pessoas que vivem essa realidade. Tanto é que até agora eu não comecei a realizá-la.
Mas, como disse, me informei pouco sobre ela e pode ser que tenha mais suporte do que estou imaginando. Vou compartilhar o processo de realização da atividade em posts futuros e volto aqui para adicionar o link para vocês acompanharem também!
TCC
A disciplina de TCC ficou disponível no meu AVA no finalzinho do semestre, ou seja, no início de 2026.
Todo o direcionamento para a produção do trabalho encontra-se nos materiais da própria disciplina e ela tem um período de realização maior do que as disciplinas comuns. Porém, pelos prazos que apareceram, parece que temos um ano para a escrita de todas as etapas do trabalho. Será?!
Confesso que essa informação me pegou de surpresa, principalmente porque eu imaginava que o TCC ficaria disponível no último ano do curso, não no penúltimo, e estava me organizando dessa forma. Antes do aparecimento da disciplina, não era possível obter muitas informações sobre o trabalho nem sobre os prazos.
Mas ainda tenho que conferir os materiais e estou pensando em consultar o tutor ou a tutora da disciplina sobre o prazo também. Ainda não consegui ver os conteúdos e acho que não tenho uma ideia muito clara do que gostaria de pesquisar. Sinto que toda a minha inspiração foi usada no trabalho da monitoria e agora não tenho um interesse muito focado, mas curiosidades dispersas.
Receita para ansiedade, né, pessoal?! Pois é!
Tratei novidades sobre o TCC no fim do ano. Enquanto isso, torçam por mim!
Disciplinas que cursei
As disciplinas que cursei no semestre foram:
- Letramento Acadêmico: Práticas de Leitura
- Fonética e Fonologia
- Teoria e Crítica Literária
- Análise e Desenvolvimento de Material em Língua Portuguesa
- Literatura Clássica
- Literatura Brasileira
Confesso que fiquei bem dividida. Amei as disciplinas de literatura e crítica literária, mas me arrastei nos estudos das demais disciplinas. Só não o fiz em Fonética e Fonologia porque era muita coisa para decorar e fiquei com medo da prova, então me dediquei bastante, mesmo não tendo o menor interesse na área (aqui é para ser sincera mesmo!).
Além disso, achei os materiais das disciplinas muito bons, principalmente os de Teoria e Crítica Literária, Literatura Clássica e Literatura Brasileira. Pode ser um viés porque são os assuntos que mais me interessam, mas os livros são excelentes e muito completos, mesmo sendo de nível introdutório. Seriam três livros que eu gostaria de ter aqui para consultar sempre. O primeiro porque a crítica literária é um campo muito vasto e há muito pano para manga para estudar, e os dois últimos porque tinham muitas boas referências de obras e autores, vale ter como lista de leituras.
Inclusive, quase me esqueci, mas foi a junção do trabalho de monitoria com a disciplina Teoria e Crítica Literária que originou o Projeto de pesquisa independente: Crítica literária feminista! Mais uma contribuição da faculdade para o blog!
Eletivas – Itinerário formativo em História
- História e Historiografia da América Contemporânea
Como estou estudando agora
Com o aumento das demandas na monitoria, o cansaço acumulado de fim de ano, e a transição dos projetos de pesquisa para o blog, decidi ser minimalista nos estudos. Mas minimalista mesmo! rs.
Basicamente, agora eu só leio o livro das disciplinas. Raramente assisto às aulas e deixo as anotações para as disciplinas que têm prova discursiva e que acho mais complexas, com muitos conceitos para gravar, como a de Fonética e Fonologia.
Funcionou? Sim! Não percebi uma grande mudança no meu desempenho nas provas, apesar de me sentir menos preparada para fazê-las do que na época dos fichamentos temáticos. Também sinto falta dessa modalidade de fichamento.
Mas é o que está sendo possível no momento, e me reconforto com a ideia de que poderei revisitar as temáticas que mais me interessaram pela criação de projetos aqui no blog.
Uma conquista: Certificado de Honra e Mérito

Neste semestre, ainda aconteceu algo muito surpreendente: um dia recebi um e-mail da Uninter me informando que havia sido contemplada com um certificado de honra ao mérito devido ao meu desempenho acadêmico.
Eu, que nem sabia que isso existia, pensei que poderia ser algum tipo de golpe! E só acreditei depois que vi meu certificado nos stories da página do Instagram do meu polo.
Durante um dos semestres mais desafiadores para a minha motivação, como vocês lerão abaixo, ter recebido o certificado foi um alento para o meu coração e me deu a sensação de que a dedicação está valendo a pena.
O que estou achando da Uninter até aqui?
Gente, vou ser sincera. Depois de dois anos de graduação, bateu o cansaço, sabe?!
Não é exatamente um problema específico com a Uninter, pois, para mim, ela é uma excelente universidade, sobretudo entre as opções EAD que temos por aí.
Mas são tantas obrigações e prazos, além de termos que cursar várias disciplinas não tão legais junto com as muito legais que, não sei, bate um desgaste depois de dois anos fazendo a mesma coisa sempre.
Também acho que a experiência da monitoria contribuiu para isso, pois foi a acentuação de tudo o que mencionei aqui. Ter que elaborar um trabalho e apresentá-lo, dentro de um prazo bastante curto, e sem me preparar psicologicamente antes de entrar para a monitoria, rs, foi extremamente desgastante. Foi incrível também! Mas o que restou e caminha comigo é um cansaço.
Principalmente um cansaço do meio acadêmico. Até a monitoria, eu tinha uma certa expectativa de seguir na área acadêmica, fazer um doutorado, quem sabe ser professora universitária. Foi o caminho que busquei desde a graduação em Psicologia (e que todos me incentivaram porque viam que eu levava jeito).
Mas cada vez mais percebi que atrelar prazos e obrigações ao que eu mais amo, que é escrever, tornou isso penoso e uma tarefa. E aí, sempre que eu escrevia, por mais que gostasse e tivesse momentos de flow nos quais me perdesse em associação livre, isso vinha junto com ansiedade e outros sentimentos negativos. E não pela escrita em si, mas pelo que estava motivando ela.
Então sinto que perdi completamente a vontade de seguir na academia e transferi as partes boas da universidade (a pesquisa e a escrita) aqui para o blog! Sinceramente?! Funcionou muito bem para mim e não posso dizer que sinto falta de algo que o ambiente acadêmico poderia me proporcionar e que não encontro aqui.
Além disso, depois de ter dado uma pausa em boa parte do meu trabalho como revisora para estagiar em um arquivo, comecei a ver que a minha profissão não precisava necessariamente ter relação com a minha graduação. Agora, que arranjei um emprego ainda mais diferente, simplesmente não sei o que pensar haha juro!
Isso sem falar na burocracia dos estágios e do projeto de extensão. Ainda vem TCC por aí…
Por isso, acho que desanimei um pouco. A nova graduação perdeu parte do sentido. Continuo esperando ansiosa pelas disciplinas envolvendo literatura, mas é meio que só isso. Até desisti de fazer Iniciação Científica. Só quero descansar e ter uma rotina normal antes e depois do trabalho. Mais alguém aí em períodos avançados com essa sensação?
Nesse sentido, acho que a redução do tempo do curso de quatro para três anos foi uma boa mudança da Uninter e que pode ajudar a manter o gás dos alunos que entrarem nesse novo currículo!
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