
De férias com você é o segundo livro publicado por Emily Henry, autora queridinha do momento no gênero das comédias românticas. A edição em português foi lançada no Brasil em 2022 pela editora Verus e no início de 2026 ganhou adaptação para as telas pela Netflix. A obra promete ser uma leitura divertida e encantadora sobre como melhores amigos podem ter uma segunda chance em sua amizade e, quem sabe, transformá-la em algo mais.
Parecer rápido: Nada, absolutamente nada neste livro funcionou para mim. Os diálogos soaram forçados e, apesar de engraçadinhos, pareceram irreais pela quantidade de tiradas espirituosas. Poppy e Alex são bons protagonistas, mas, gente, como eles conseguiram passar 12 anos se iludindo fiingindo que não se gostavam quando fica óbvio no livro que eles sabiam o que sentiam? As justificativas para tal absurdo até estavam presentes, mas foram pouquíssimo trabalhadas e a solução para elas muito simplista. Isso sem falar na estrutura do livro. A autora quis criar um suspense em torno do que separou os dois e mostrar o desenvolvimento da amizade, mas, sinceramente, foi um saco ficar lendo sobre todos os exs da Poppy e a relação conturbada de Alex com a Sarah. Tudo o que eu queria era mais de Alex e Poppy e, no fim, tivemos poucos momentos verdadeiramente românticos em todo o livro.
Sinopse
Dois melhores amigos. Dez viagens de verão. Uma última chance de se apaixonar.
Poppy e Alex. Alex e Poppy. Eles não têm nada em comum. Ela é uma garota rebelde; ele usa calça cáqui. Ela tem um desejo insaciável de viajar; ele prefere ficar em casa lendo um livro. E de alguma forma, desde uma fatídica carona na faculdade há muitos anos, os dois são melhores amigos.
Durante a maior parte do tempo, Poppy e Alex moram longe um do outro — ela em Nova York, ele em sua pequena cidade natal —, mas todo verão, há dez anos, embarcam juntos em uma semana deliciosa de férias.
Até dois anos atrás… quando eles estragaram tudo. E, desde então, não se falaram mais.
Poppy tem todas as coisas de que precisa, mas se sente estagnada. E, se alguém lhe pergunta quando foi a última vez que se sentiu realmente feliz, ela sabe que foi naquela viagem final com Alex. Por isso decide convencer seu melhor amigo a saírem de férias juntos mais uma vez — pôr tudo em pratos limpos, fazer dar certo. Milagrosamente, ele concorda.
Agora Poppy tem uma semana para consertar as coisas. E, quem sabe, contornar a grande verdade que permanece em silêncio no meio de sua amizade aparentemente perfeita.
Será que algo mais ainda pode dar errado?
Motivação da leitura
Fazia tempo que queria ler algum livro da Emily Henry pelas críticas positivas que vi por aí e por observas as palavras “livros” e “leitura” nos títulos e suas obras, que sempre despertam a minha curiosidade.
A escolha de De férias com você foi ao acaso. No início do ano estava olhando alguns livros na livraria e simplesmente peguei o primeiro livro dela que vi, sem ler a sinopse. Talvez tenha sido um erro? Talvez, afinal, não sou lá chegada no trope friends to lovers, mas foi o que foi.
Meu problema com o trope friends to lovers e com o casal do livro
Acho que antes de começar a criticar a história (que é exatamente o que vou fazer durante toda a resenha, preparem-se), preciso deixar o disclaimer sobre o meu problema com romances entre amigos.
Não é que eu os ache ruins, ao contrário. O que costuma me incomodar em alguns romances desse tipo é quando o conflito depende quase exclusivamente de problemas de comunicação. Em outras palavras: um não fala que gosta do outro por medo de estragar a amizade e acaba estragando a amizade e, às vezes a própria vida, justamente por causa desses sentimentos não admitidos.
Quando esse conflito é bem desenvolvido e sustentado por obstáculos realmente complexos, ele pode funcionar muito bem. Mas não foi o caso do livro. Gente, foram 12 anos de problemas que poderiam ter sido evitados com uma boa conversa (ou algumas).
Era muito óbvio que eles se gostavam e tinham algo diferente. A Poppy sabia que gostava do Alex, o livro deixa isso claro, então não é nenhum spoiler. Mas ela evitava pensar sobre isso, o que foi bem irritante considerando que é óbvio que eles são o par romântico, pelo próprio gênero.
Ok, agora você pode estar pensando “mas, Rafa, eles se conheceram muito jovens, podem ter amadurecido com o tempo” e, justamente, o problema é que isso não acontece! E isso tem total relação com o modo como a história foi estruturada.
Por que a estrutura do livro não funcionou
O livro é dividido em capítulos que intercalam entre a situação presente que a Poppy estava enfrentando ao tentar retomar a amizade com o Alex e capítulos no passado que mostram como a amizade e a relação dos dois se construiu. E toda a história se desenvolve em um crescendo até o que aconteceu na última viagem deles e resultou no afastamento dos dois.
O problema é que nesses flashbacks a Poppy sempre estavam com algum cara duvidoso (ela tem um péssimo gosto para homens) no qual eu não tinha o menor interesse porque só queria saber dela com o Alex! Por causa disso, boa parte do livro ficou chatíssima, desinteressante.
Além disso, a autora quis criar um suspense em torno do que aconteceu na última viagem deles, mas não funcionou muito bem, principalmente porque foi um motivo que pareceu bobo diante das consequências do acontecimento. Ter tido isso como um dos pontos centrais do livro foi frustrante.
E detalhe: eles ficaram anos sem se falar depois disso. Já adultos e tendo uma amizade enorme. Gente, desculpa, não dá.
A ausência de desenvolvimento de personagem
O ponto principal é que não senti que houve um verdadeiro desenvolvimento dos personagens em si e um amadurecimento deles para que pudessem em algum momento construir um relacionamento saudável.
Além da crise com o Alex, a Poppy também enfrentou uma crise na sua profissão e tenho a impressão de que, ao final do livro, ela avançou muito mais em se entender profissionalmente do que em refletir sobre tudo o que viveu (e acompanhamos nos capítulos anteriores) e realmente mudar internamente. E a mesma coisa vale para o Alex.
Para mim, mesmo no final do livro eles continuaram tendo os “mesmos” problemas, pois decorriam da falta de maturidade dos dois. Então não senti que tivemos arcos de personagem verdadeiramente satisfatórios.
Para não dizer que o livro encerrou nessa situação desanimadora dos dois, a autora incluiu um elemento que supostamente resolveu esse problema. Só que não é algo que conseguimos acompanhar na narrativa, não vemos os personagens de fato trabalhando nas suas questões, apenas ficamos sabendo que estão fazendo isso.
O próprio romance entre os dois não teve oportunidade de aparecer ou de se aprofundar porque foram suplantadas pelo caos dos conflitos e acontecimentos ou pelo foco da narrativa do passado recair em muitas outras coisas além dos dois.
Vale a pena dar outra chance aos livros da Emily?
O que acham? Eu realmente não sei. Foi uma quebra de expectativa tão grande que estou decepcionada até agora, e olha que já se passaram seis meses desde a leitura.
Eu deveria dar outra chance a ela? Se sim, que livro me recomendam?
Ficha técnica do livro

Nome: De férias com você
Autora: Emily Henry
Tradutora: Cecília Camargo Bartalotti
Editora: Verus
Ano: 2022
N.º de páginas: 391
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