
Belladonna é o primeiro livro de uma duologia (transformada em trilogia), que pode ser lido como livro único! Obra jovem publicada em 2023 pela Plataforma 21, nos promete um romance gótico envolvendo a morte como personagem, desejo, segredos e traição. Mas será que entrega?
Abaixo, deixo um parecer rápido para quem não gosta de saber muitos detalhes da história, mas quer saber se a leitura vale a pena e, em seguida, detalho o que funcionou e o que não funcionou para mim no livro.
Parecer rápido: vale a leitura se você está buscando algo despretensioso e leve, com toques de mistério e romance, mas é melhor aproveitado se não tiver muitas expectativas! Os personagens são cativantes e a história te prende; os elementos góticos estão presentes, apesar de mais como pano de fundo do que como centrais, e o livro entrega tudo que gostamos com o clichê do baile de máscaras. É preciso ler do início ao fim para julgar, pois algumas revelações lançam uma luz diferente sobre acontecimentos iniciais. A história ganha força do meio para o fim e aí entrega o que promete, mas, ao fim da leitura, fica a sensação de que alguns aspectos poderiam ter sido mais bem explorados e um gostinho de “quero mais”.
Sinopse
Órfã quando ainda era bebê, por dezenove anos Signa foi criada por uma sequência de tutores mais interessados em sua fortuna do que em seu bem-estar, e todos tiveram mortes prematuras. Os únicos parentes que lhe restaram foram os ardilosos Hawthorne, uma excêntrica família que mora na Quinta dos Espinhos, uma propriedade tão glamorosa quanto sombria.
O patriarca dos Hawthorne tenta esquecer a morte da esposa promovendo grandes festas, enquanto a filha sofre de uma misteriosa doença e o filho se esforça para recuperar a reputação da família. Mas, quando o espírito atormentado da Sra. Hawthorne aparece afirmando que foi envenenada, Signa percebe que a família da qual depende pode estar em grave perigo. A jovem, então, conta com a ajuda de um simples cavalariço para encontrar o assassino.
Entretanto, Signa sabe que para descobrir quem é o criminoso deve fazer uma aliança com a Morte – uma fascinante, porém perigosa sombra que nunca sai do lado da garota. Embora faça da vida de Signa um inferno, a Morte mostra a ela que esta crescente conexão pode ser mais poderosa – e mais irresistível – do que a jovem ousava imaginar.
Motivação da leitura
Estava eu na minha mini Era Gótica (adiada até um próximo Redescobrindo meu gosto literário com a temática) quando assisti ao vídeo da Patrícia Lima sobre a trilogia Belladonna.
Não pude resistir ao apelo gótico da obra e à resenha positiva da booktuber e acabei comprando, sobretudo porque estava querendo um livro levinho e despretensioso para ler.
Funcionou? Sim! Mas deixou um gostinho de que queria algumas coisas um pouco diferentes.
Ambientação
Bom, gente, o romance é vendido como gótico e foi isso que despertou o meu interesse, então não tem como não analisar a ambientação, né?!
O início é muito bom e é a parte do livro que mais se aproxima da atmosfera gótica mesmo. A história se passa em uma mansão isolada, no século XIX, e há fantasmas e uma jovem doente. E, claro, não podia faltar um bom baile de máscaras. Elementos góticos, checked!
Porém, conforme a narrativa avança e o foco muda para a relação entre as pessoas e os acontecimentos, senti que a atmosfera ficou um pouco de lado. Além disso, achei todos os personagens muito animados/alegres para fazerem parte de um romance gótico, inclusive (e talvez principalmente) a morte, o que me decepcionou um pouco.
Personagens
Mas, falando nos personagens, achei que a autora fez um bom trabalho construindo personagens cativantes, pois gostei de todos os mais relevantes, principalmente da Blythe (que é a jovem doente, não nossa protagonista, Signa).
Também gostei da Signa, da sua história, da conexão misteriosa que tem com a morte e do desenvolvimento da personagem. A narrativa vai mostrando como aquele ambiente que ela tanto desejava, a “sociedade”, é fútil e como é suficiente para as mulheres seguir todas as regras sociais e buscar um marido. A Blythe a ajuda muito nisso e foi muito legal acompanhar a amizade entre as duas.
Já não posso dizer o mesmo da relação da Signa com os personagens masculinos, muito limitada a implicâncias, bem bobinha e imatura.
Além disso, achei péssimo o modo como o ceifador é retratado no início. Gente, como assim?! Ele era todo bonzinho com a Signa, muito próximo a ela, e tudo isso fica incompreensível para o leitor por boa parte do livro, fora que ele age como um adolescente com ela, sendo que é um ser milenar que existe desde os primórdios do tempo. Muito diferente do personagem soturno e imponente que eu estava esperando e que só apareceu mais para o fim do livro.
Desenvolvimento da história
Eu gostei da história como um todo. Tem uma investigação e um mistério envolvendo envenenamentos que funcionam como motor da narrativa e prendem a atenção. E a solução para a questão não é tão simplista assim, e temos reviravoltas garantidas.
O livro começa a ficar bom mesmo do meio para o fim, quando a Signa se abre mais para sua conexão com a Morte. Isso permite o desenvolvimento da personagem e, a partir daí, o livro entrega o que prometeu na sinopse e nas orelhas.
Algumas revelações vão acontecendo ao longo da história que justificam determinadas relações, atitudes e situações que vemos retratadas, lançando uma luz diferente sobre o que pensávamos até então. Por isso, acho que é preciso dar uma chance ao livro como um todo e lê-lo até o final para julgar por completo.
Mesmo assim, acho que não dá para passar pano por completo para os problemas que mencionei na resenha. Eu queria ter visto uma Morte diferente, mais próxima do nosso imaginário coletivo sobre a figura, e também um aprofundamento em determinadas relações que não aconteceu e deixou um gostinho de que queria ter lido uma história parecida, mas diferente.
Porém, foi um livro bom! Ele tem partes muito boas e outras nem tanto, mas vale a pena ler pelo plot twist e pelo romance também. Além disso, tem umas reflexões bacanas sobre a vida e a morte e o papel da mulher, bem como as expectativas sociais que recaem sobre ela. Recomendo a leitura, mas quanto menos expectativas, melhor se aproveita o livro!
Vale a pena ler a trilogia?
Sinceramente? Eu acho que funciona bem como um livro único, pois ele tem uma conclusão bem fechadinha, apesar de também deixar um gancho para o segundo livro, sobretudo porque o segundo e o terceiro livro focam em personagens diferentes.
Ficha técnica do livro
Nome: Belladonna: o gosto da morte
Autora: Adalyn Grace
Tradutor: Lavínia Fávero
Editora: Plataforma 21
Ano: 2023
N.º de páginas: 432
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Se gostou de Belladonna, também pode gostar de:
A vida invisível de Addie LaRue, de V. E. Schwab. Se você também se decepcionou com o modo como a Morte é retratada e ficou com gostinho de “quero mais” no aprofundamento da relação com Signa, pode ser que o livro de V. E. Schwab seja uma boa sequência. Eu ainda não o li, mas, pelas resenhas que vi, há um deus das trevas com quem a protagonista faz um pacto para viver eternamente, e ele é, de fato, soturno e sombrio. Acho que não chega a ter um romance entre os dois no livro, mas tem, sim, uma tensão que pode tornar a leitura interessante e nos dar aquilo que não conseguimos em Belladonna!
E você, tem alguma indicação? Eu adoraria ler mais livros menos jovens e mais profundos sobre os temas que aparecem em Belladonna!


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